"De todos os meios de expressão, a fotografia é o único que fixa para sempre o instante preciso e transitório. Nós, fotógrafos, lidamos com coisas que estão continuamente desaparecendo e, uma vez desaparecidas, não há mecanismo no mundo capaz de fazê-Ias voltar outra vez. Não podemos revelar ou copiar uma memória”
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Henri Cartier-Bresson

sexta-feira, 25 de junho de 2010

GARIMPAGEM

2 comentários:

Anônimo disse...

Você já parou para pensar como o preto fala? A cor preta transmite muito, ainda mais quando fica encontraste com a natureza e esta é talvez o reflexo daquela... O fotógrafo quando capta uma imagem talvez não imagine o que esta possa causar no apreciador.
Sabemos que a vida corre em muitas direções, assim como afirma Enaira Olive: “A vida é como um rio que corre em outras direções. E nunca pro mesmo lugar”. A princípio parece óbvio saber que o rio sempre corre em direções diferentes, assim como a vida... mas é justamente esta visão que dá suporte para a compreensão de quão belo é viver, de quanto vale a pena realizar cada movimento de respiração, este tragado pela confiança da inspiração, e libertador da expiração... A vida, uma oportunidade única de saber amar... de saber respirar... de saber enxergar as belezas no preto, no velho, no simples, no rústico... no metal. Metal este que nos remete a alegoria da caverna de Platão, talvez pelo escuro que se encontra lá dentro e a luz que se encontra lá fora,... talvez ainda pelas projeções que são visíveis de um mundo que aparentemente seria o da luz, mas que no real se torna o das trevas, do medo, da destruição humana ecológica, seria talvez o mundo das catástrofes, mas que ainda resta luz, luz esta que causa projeção que causa emoção que dá brilho e encanta... luz que clarea o pensamento do poeta para encontra inspiração mesmo que seja no escuro, pois só se sabe que existe escuro porque há luz... Certo é que o método socrático contribui para o conhecimento do homem através da ironia (perguntas) e da maiêutica (parto)... O parto das idéias de luz ao conhecimento... Quando ele diz “conhece-se a ti mesmo” tenta mostrar que a vida só será compreendida a partir do momento que buscamos a sabedoria... Porém quando tentamos descobrir o encoberto percebemos que somos peixes na imensidão do oceano... A navegar... Em busca de novos horizontes... Em busca de novas águas, águas essas que jamais serão tocadas novamente...
E na imensidão de oceano que Deus criou percebemos que: “Só sei que nada sei ”-Sócrates. Que o mundo é feito para ser desbravado, para ser conhecido, para ser tocado, porém a realidade no oceano afirma que há impossibilidade de se conhecer tudo... Porém, afirmo que não seja necessário conhecer tudo, apenas a mola propulsora de descobrir o desconhecido dá motivos suficientes para buscar mais... Mais... Mais. Sempre mais, e nesta busca incessante vemos a beleza do lado de cá, o quanto é belo, o quanto é reluzente e nos faz feliz em um olhar... Em uma sensação, em uma cor... Ainda por cima se esta for preta! Talvez para uns o preto traga medo, terror... Mas há de se convir que neste caso o preto também comporte aconchego... Proteção... Emoção, de estar seguro e poder apreciar de longe. E se surgir à vontade de ir lá? De buscar o novo, de sair da redoma, do nicho, vale a pena arriscar? Vale a pena ver o desconhecido sob outra perspectiva?
Talvez seja melhor correr o risco de ver sob outro ângulo do que desfalecer sabendo que nunca tentou que teve a oportunidade, mas não se permitiu não se deu ao luxo de ver e viver por outro prisma...
Talvez sejam os ferros que lhe aprisionam? Perceba que mesmo no ferro existem as brechas que dão a oportunidade de sair... E ir... Em rumo a novas direções a novas águas... E assim enxergar o novo, o belo... O feio, ou velho... Não importa você saiu e viu
Talvez retorne ao seu casulo ou não, mas se retornar perceberá que existe um mundo diferente do seu, e assim possa enxergar novas possibilidades...

IMAGINARIVM disse...

É gratificante ao fotografo a percepção da leitura contida no seu processo original de captura de uma cena, e a riqueza de interpretações que lhe é acrescida a partir de tantos outros processos de leitura decompostos na percepção, identificação, interpretação e principalmente experiência de vida de cada indivíduo.

Um dos mais fascinantes processos de escrita, a fotografia transcende barreiras ao permitir-se explorar por linguagens diversas independente de qual seja tribo, nação, sotaque singular ou a busca pessoal de cada observador.

É curioso com a leitura desta escrita implica em reconstituir o tema no tempo e espaço de cada observador, que encontrará neste processo o suporte de uma linguagem universal, construída das derivações do seu passado e vivências presentes, habilitando-o a apropriar-se deste novo conhecimento e conjugá-lo a um futuro virtual compartilhável com a percepção de tantos outras tribos.

Obrigado pelo comentário.

Juray de Castro